#momentobiscoitos: Vanessa

s01e02: a Caririense do Forró e Bit

Postado por Dandara Sousa em 27/08/2020 · 15 mins de leitura

Foto de Vanessa

O segundo #momentobiscoitos não poderia ser com outra pessoa senão a revisora chefe deste maravilhoso site. Dona Vanessa Sidrim é nascida e criada no Cariri Cearense, graduada em ciência da computação (UNIPÊ)e mestranda em ciência da computação (Unicamp). Atualmente ela está pesquisando sobre umas coisas ai de inteligência artificial (visão computacional, neural architecture search, automatic machine/deep learning). É membra fundadora da PyLadies Paraíba. Louca desesperada por música, um pouco indecisa, seguidora fiel da filosofia da truação e amante dos testes de comida do buzzfeed. Ela é uma mulher toda tímida mas que aceita todas as ciladas que eu digo “vamo?”. Além de um coração gigante e dengoso, ela é responsável pelas combinações alimentícias mais peculiares já vistas. E quero, hoje, que vocês a conheçam também!

1. Você é uma mulher caririense que passou por João Pessoa e mora agora em Campinas. Conta tua saga para os biscoiters. Fala um pouco de como tu foi parar nesses cantos.

Nascida e criada em Barbalha no Cariri do Ceará, sai da casa dos meus pais tinha acabado de completar 18 anos pra ir fazer faculdade em João Pessoa-PB, passei praticamente 5 anos da minha vida morando nessa cidade (4 anos do bacharel em Ciência da Computação e praticamente 1 ano trabalhando como analista de qualidade) que tenho um carinho especial, guardo boas lembranças e tenho bons amigues até hoje por lá (inclusive saudades).

Atualmente estou morando em Campinas-SP, a mais de um ano, e vim parar aqui porque passei no mestrado e resolvi cursar. Sempre gostei muito de ensinar e desde quando entrei na universidade tinha na minha cabeça que queria seguir carreira acadêmica. Quando terminei a graduação já estava trabalhando na área e curtindo muito o que estava fazendo, mas depois de um tempo resolvi que por mais que estivesse confortável nas minhas atividades atuais, já tava na hora de seguir o meu propósito antigo. Me inscrevi em umas seleções sem pretensão alguma e acabei passando na que menos tinha expectativas de passar que era na Unicamp (deixo aqui a sábia frase dita constantemente pela dona desse site: “O não você já tem, corra agora atrás da humilhação”).

2. Quem me conhece e lhe conhece, sabe que você é bem tímida. De onde tivesse essa ideia de aceitar estar aqui hoje?

A princípio sou sim bem tímida, mas se me der um pouquinho de cabimento e eu me sentir confortável, me solto e acabo revelando a mulher faladeira que habita em mim. Já fui alguém bem mais desinibida, hoje nem tanto, mas sempre fui muito reservada. Em relação ao aceite do convite, não podia recusar por dois motivos principais. Primeiro porque quem me fez esse convite foi você, segundo porque tô nessa tentativa de deixar um pouco essa timidez de lado.

Nota de Dands neste momento citando um clássico do forró: Timidez é bobagem, bonito é o amor.

3. Você é uma das membro fundadoras do PyLadies Paraíba (inclusive, nos conhecemos assim) e como é tua visão sobre comunidades?

Gosto muito da ideia de troca de conhecimentos e experiências que as comunidades proporcionam. Além de ser em sua maioria ambientes bastante acolhedores e que possibilitam um crescimento tanto profissional quanto pessoal.

Sou uma pessoa muito de “bora”, ou seja, pode me chamar que eu vou. E foi assim que acabei me tornando uma das membras fundadoras do PyLadies Paraíba. Andressa foi a pessoa que teve a grande ideia de fundar o grupo, e conhecendo esse meu traço de personalidade resolveu me convidar, aceitei obviamente e estamos aí. Tenho muito orgulho de fazer parte da comunidade e do que ela é e vem se tornando, e fico muito feliz em integrar e colaborar com esse ambiente, muitas coisas boas na minha vida foram proporcionadas por fazer parte do PyLadiesPB.

4. Papo musical. Como é tua relação com instrumentos musicais? Quais tu toca e quais são os que você pensa em aprender no futuro?

Sempre gostei muito de música e sempre ouvi muito. Na minha casa todo mundo gosta e faz tudo ouvindo música, e sempre que possível você vai me ver batucando mesmo que discretamente. Tenho dois tios que tocam vários instrumentos e aprenderam sozinhos, sempre admirei muito isso e meu primeiro contato com um instrumento, que foi o violão foi através deles. Nunca tive aula e nunca tive um violão próprio, lembro de ir pra casa do meu tio e pra casa da minha vó e receber pequenas dicas e instruções, de pedir emprestado o violão do meu tio, levar pra casa e ir me virando olhando cifras na internet.

Quando tinha 17 anos comecei a dar aulas particulares para alunos do ensino fundamental e comecei a ganhar um dinheirinho e na primeira oportunidade investi em um instrumento, acabei comprando um ukulele que me acompanha desde então.

Ano passado um amigo (Bruno) veio passar um tempo com a gente (moro com minha irmã e minha cunhada) até se fixar na cidade. Ele já tocava violão (por sinal muito bem) e como ele é de Pernambuco e também veio para Campinas para fazer mestrado, no meio da mudança não foi possível trazer o violão. Então ele adquiriu um por aqui na mesma época em que veio morar com a gente, foi daí que meu contato com o violão retomou com uma maior frequência (tenho alguns amigues que tocam e sempre que estava em um ambiente com um violão acabava relembrando algumas notas). Bruno conseguiu um local para morar, se mudou e deixou o violão aqui em casa, eu me apossei dele e venho praticando bastante nessa quarentena.

Eu sou meio louca por instrumentos e por mim tinha vários. Ultimamente estou pensando em investir em um pandeiro, sair um pouco das cordas e ir para percussão. Mas ao mesmo tempo penso em comprar um teclado, um baixo, enfim sou um pouco indecisa também (kkkk). Mas tem um instrumento que sempre tive muita vontade de tocar mas é muito caro, que é sanfona, inclusive um dos sonhos da minha mãe é me presentear com uma sanfona. Sempre fui muito estimulada por ela a tocar instrumentos, ela acha lindo e sempre apoiou. Inclusive me enganei, meu primeiro instrumento foi uma gaita que ganhei dela, cheguei a aprender a tocar a música do Auto da Compadecida (kkkk) mas por n motivos acho que instrumentos de sopro não é muito minha vibe, tenho até hoje a gaita comigo e tô pensando agora em dar uma nova chance (rsrsrs).

4.1. Papo musical +=1. Como surge tuas inspirações para playlists? (momento, dê biscoito para suas playlists).

Eu amo categorias e amo categorizar músicas e faço isso por meio de playlists, então tenho várias (201 para ser um pouco mais precisa) das mais diversas temáticas possíveis. Qualquer motivo pra mim é uma desculpa para um criar uma playlist, como eu tô me sentindo, situações que estou vivenciando, atividades da minha rotina, conversas aleatórias citando músicas, rôles, enfim vários motivos.

Também gosto muito de conhecer bandas e artistas novos e muitas vezes imergir no acervo de um artista. Então também curto fazer playlist com as melhores músicas na minha opinião da discografia.

Curto também conhecer as cenas músicas de locais diversos. E os artistas e bandas dos locais que vou explorando, vou armazenando 2/3 das músicas que mais curti de cada em playlist criadas por mim para cada localidade.

Spotify de Vanessa

Bônus track

5. Como uma mulher low profile, nem todo mundo sabe o quão massa foi o tema do teu TCC. Então, quer falar dele? Fala aqui!

Na época do meu TCC tinha duas áreas em mente para desenvolver minha pesquisa. Queria trabalhar com dados ou com UX, sobre ambas só tinha conhecimentos superficiais mas tinha interesse e queria me aventurar. Lembro que escolhi meu orientador por recomendação de um antiga professora (ela seria minha escolha inicial mas na época tinha passado em um concurso e estava saindo da instituição) e por coincidência o mesmo tinha experiências em ambas as temáticas.

No primeiro dia de orientação ele juntou todos os orientandos e pediu para que pensássemos sobre assuntos que queríamos pesquisar, e que na semana seguinte entregássemos um texto corrido de uma página comentando sobre pelo menos um ideia que tivéssemos. Na semana seguinte cheguei com 2 ideias e meio pra ele. Uma delas, a que acabou sendo escolhida, tinha como proposta aplicar métodos de design thinking para concepção de uma aplicação para auxilio de ensino da matemática para crianças portadoras de TEA (Transtorno do Espectro Autista).

E essa ideia veio de forma espontânea, tinha como objetivo desenvolver algo com viés mais social e a escolha do autismo veio a partir de uma conversa com Andrê (morávamos juntos em João Pessoa na época) sobre o dia dele, ele é dentista e sua principal área de atuação é o atendimento a pacientes com necessidades especiais e alguns deles são autistas.

Durante a concepção do projeto imergi na temática, li bastante sobre, entrei em comunidade na internet, conversei com professores que ensinavam a estudantes autistas, com integrantes de projetos voltados a pessoas com TEA e visitei instituições.

Como entrega final do projeto desenvolvi uma aplicação simples, semelhante a um jogo utilizando uma engine de games chamada Godot, a ferramenta tinha como propósito apresentar de forma interativa os numerais para crianças com TEA. Tenho muito orgulho desse projeto, ele chegou a ser utilizado na fase de testes em sala de aula por crianças autistas, e ouvir o feedback positivo e vê que algo que desenvolvi podendo contribuir de alguma forma é gratificante.

6. Não posso deixar esse momento passar: Fala do Forró e Bit!

Há quase 2 anos atrás, a serem completados no mês que vem, eu conheci alguém tão louca quanto eu, com a capacidade de entrar em uma quadrilha composta por uma caravana de senhorzinhos e senhorinhas na feirinha de Tambaú em João Pessoa, match de amizade momentâneo intensificado após assistirmos no mesmo dia o DVD completo de Calcinha Preta em uma mesa de bar na Praça da Paz com direito a comentários excêntricos e duetos.

Unidas pelo PyLadies PB e separadas por quilômetros de distância (inicialmente uns 135 km, depois por 2105 km) mantivemos contatos pontuais. Eis que início do ano de 2020 estou de volta a cidade de João Pessoa com uma reunião marcada com mulheres maravilhosas na famosa casa das PyLadies PB para planejarmos as atividades do ano da comunidade, e reencontro ela que viria a ser a sócia e co-fundadora da futura melhor produtora, e dona e proprietária deste canal de comunicação. Desse reencontro muitas coisas boas surgiram inclusive o projeto Forró e Bit que consiste em uma produtora para unir 2 paixões, 2 amores, forró e computação. O projeto tá saindo aos poucos com playlists criadas em conjunto, packs de figurinhas, organização de mini eventos virtuais e algumas outras coisas a mais que não podem ser reveladas no momento (KKKK!). Porém aconselho que aguardem ansiosamente que muita coisa boa vai surgir dessa união.

desenho de gatinho comendo biscoitos

Por último e não menos importante: Para quem você manda um pacotinho de biscoitos?

Nesse momento penso em várias pessoas e é muito doloroso escolher só uma, então de antemão vou mandar um pacotinho de biscoito para todas as pessoas que fazem parte da minha vida, da minha rotina. Mas escolhi hoje para presentear com a fábrica de biscoitos treloso um pessoa que entrou na minha vida em 2018 e rapidamente se tornou muito presente e muito importante pra mim, que é Edenilson ou melhor Felicidade (Feliz, Felicity e todas as derivações possíveis). De alguém com um apelido como esse não se espera menos do que uma boa energia e sim, quem conhece Felicidade sabe o quanto companheiro, prestativo, atencioso e carinhoso ele é. Conheci Feliz quando trabalhamos juntos e foi crush de amizade à primeira vista, de lá pra cá os laços só foram se estreitando, e hoje somos partes um do outro. Então deixo pra ele todos os biscoitos possíveis e um muito obrigado também por ser fazer presente e por todos os momentos compartilhados e que venham vários outros. Vou parar por aqui porque senão vou chorar de saudade do abraço mais apertado da Paraíba.

Para stalkear Felicidade (Feliz, como eu gosto de chamar):

Onde encontrar Vanessa:

Calma que tem o bônus track do pós créditos. Qual música Vanessa deixa aqui para a playlist #momentobiscoitos?

Essa foi a pergunta mais difícil, ainda mais levando em conta minha loucura por música e minha indecisão. Mas vou escolher Quis mudar de Tim Bernardes, essa é um música que sempre escuto nas idas e vindas dos locais que moro ou já morei, sou meio solta no mundo mas também sou muito saudosa e apegada, é sempre difícil ir embora.